Pular para o conteúdo principal

Nanotecnologia riscos para o trabalhador




Data: 16/02/2018 / Fonte: Ministério do Trabalho

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), até 2020 cerca de 20% de todos os produtos manufaturados no mundo serão baseados no uso da nanotecnologia. Se por um lado esse avanço científico trará benefícios à humanidade, como TVs, computadores e celulares cada vez mais modernos, por outro vem deixando pesquisadores da área de saúde e segurança dos trabalhadores em alerta quanto aos riscos dessas novas tecnologias. "Hoje, inclusive, existe um ramo da toxicologia chamado de nanotoxicologia. Esse conhecimento científico tem que chegar aos trabalhadores, porque eles ainda têm pouca informação sobre esses riscos", explica Arline Sydneia Abel Arcuri, pesquisadora da Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho.

O uso amplo e diversificado de nanomateriais na indústria dificulta estimativas sobre o número de trabalhadores expostos aos efeitos ambientais e de saúde dessas tecnologias. Ainda há pouco conhecimento sobre os perigos, mas estudos técnicos apontam que estão associados a insumos e produtos intermediários utilizados na indústria, como dióxido de titânio, fulerenos, nanopartículas de ouro, nanopartículas de prata, nanotubos de carbono e polímeros, e a produtos finais, como chips eletrônicos, displays, filtro solar, roupas inteligentes e sensores gustativos, entre outros.


Os nanotubos de carbono, por exemplo, são úteis para indústrias de materiais plásticos, nas conduções térmica e elétrica, na construção civil, na produção de carros e aeronaves e até mesmo na medicina. No entanto, alguns tipos de nanotubos de carbono de paredes múltiplas possuem potencial cancerígeno semelhante ao do amianto. "Alguns tipos de nanotubo de carbono são muito tóxicos", alerta a pesquisadora da Fundacentro. Outros nanomateriais, segundo ela, podem ser aspirados pelas narinas e chegar ao cérebro do trabalhador. "São riscos significativos", diz Arline.




Mudanças - Os avanços tecnológicos também estão por trás de mudanças no mercado de trabalho. Segundo a pesquisadora, estes avanços são responsáveis pelo aumento da mecanização do trabalho e hoje se vê a robotização em várias atividades.

Da mesma forma, novos tipos de trabalho, como o estilo Home Office (em casa), também são favorecidos pelas tecnologias modernas, mas podem ter impactos na saúde do trabalhador. "Tanto os trabalhadores quanto as empresas que estão começando a usar novas tecnologias devem se preocupar com o que vai acontecer daqui para a frente", diz Arline.

Fórum - Essa preocupação levou a Fundacentro a iniciar ações nesta área, incluindo o projeto "Estudo preliminar dos impactos da nanotecnologia para a saúde dos trabalhadores", que vem gerando estudos bibliográficos, material didático na forma de histórias em quadrinhos, eventos e palestras para ampliar a discussão e o conhecimento dos trabalhadores sobre o assunto.

A instituição também realizou o Pré-Fórum Mundial Ciência e Democracia - Ciência, Tecnologia e Democracia em Questão, no último dia 7 de fevereiro, em São Paulo. O objetivo foi discutir o tema, com a participação de pesquisadores, trabalhadores envolvidos com as novas tecnologias e estudantes, abordando três eixos de debate: "Avaliação e governança das novas tecnologias"; "Ciência e tecnologia para o desenvolvimento social" e "Pesquisa cientifica - para que e para quem". O debate deve prosseguir com a participação de representantes da Fundacentro no Fórum Mundial Ciência e Democracia, de 13 a 27 de março, em Salvador (BA).



EXEMPLOS DE NANOMATERIAIS
a) Insumos e produtos intermediários
- Dióxido de titânio
- Fulerenos
- Nanopartículas de ouro
- Nanopartículas de prata
- Nanotubos de carbono
- Polímeros nanoestruturados

b) Produtos Finais
- Chips eletrônicos
- Displays
- Filtro solar
- Roupas inteligentes
- Sensores gustativos

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Trabalho em altura tem novas regras

Apó s dois anos de estudos, o Comitê Brasileiro de Equipamentos de Proteção Individual (CB-32/ABNT) colocou oito nor­mas sobre equipamentos de trabalho em altura em consulta pública. Destas, apenas quatro (travaqueda deslizante guiado em li­nha flexível, travaqueda guiado em linha rí­gida, travaqueda retrátil e ab­sor­vedor de energia) passaram por uma re­for­mulação, enquanto que as demais (ta­la­bar­­te de segurança, cinturão de segu­rança tipo abdominal e talabarte de segurança para posicionamento e restrição, cin­­turão de segurança tipo para-quedista e os conectores) foram criadas para fa­­ci­litar a interpretação da legislação. "Há, em vigor, apenas uma norma para cinto de segurança e talabarte, sendo que ela é uma `salada’ de normas, pois engloba todos os EPIs correlatos. Isso provoca desentendi­mentos no mercado, pois dá margem a muitas interpretações. Achamos por bem re­fazê-la, desmembrando-a em qua­tro normas independentes", explica João Giória, coordenador da ...

Operários morrem eletrocutados em obra no Maranhão

Data: 11/02/2011 / Fonte: Jornal Pequeno São Luís/MA - Dois funcionários da empresa Niágara Empreendimentos Ltda. morreram eletrocutados quando trabalhavam em uma obra do programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal. O acidente aconteceu na quinta-feira, 10, na construção do Residencial Nova Aurora, em São Luís/MA De acordo com o ajudante de pedreiro Marco Aurélio Araújo da Silva, que testemunhou todo o fato, o pedreiro José de Ribamar Sousa Santos, o "Tutoia", natural da cidade de mesmo nome, estava na laje de uma das casas em construção. Ele recebia, das mãos do próprio Marco Aurélio, uma barra de ferro para ser colocada dentro de uma "canaleta", quando a barra tocou no fio de alta tensão, transmitindo a descarga elétrica para José de Ribamar, causando sua morte instantânea. Ao tentar subir na laje, que estava molhada, para salvar o companheiro, o servente Douglas Jackson Nogueira, conhecido como "Careca", que era morador do Ba...

RO – Justiça do Trabalho terá vara itinerante em obras de usina

Data: 18/03/2011 / Fonte: Agência Brasil Porto Velho/RO - O canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO), contará ainda nesta sexta, dia 18 de março, com uma vara itinerante da Justiça do Trabalho para resolver possíveis problemas de ordem trabalhista que tenham surgido no local. Desde o dia 15 de março, tumulto e atos de vandalismo foram protagonizados por empregados da obra, paralisada oficialmente dia 17 e sem previsão de volta. Há informações de que os operários estão insatisfeitos com a truculência de motoristas, seguranças e encarregados e pedem melhores condições de trabalho. O deslocamento de uma vara itinerante para o local foi uma sugestão do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, acatada, nesta manhã, pela presidenta do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (Rondônia e Acre), Vânia Maria da Rocha Abensur. O ônibus, equipado com computadores, servidores e magistrados, deverá chegar ao local n...