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Engenheiro conta sobre sua participação na construção da cultura da prevenção brasileira

Entrevista concedida à jornalista Cristiane Reimberg
Muitos o chamam apenas de professor. Assim é conhecido Leonídio Ribeiro Filho, que iniciou na Engenharia de Segurança antes mesmo de ela existir com esse nome. Foi discípulo de outro professor, o engenheiro Silas Fonseca Redondo, uma das referências que o levaram para o caminho prevencionista.

Em 1967, quando entrou para a área, o cargo recebido foi de engenheiro de Prevenção de Acidente. Já nos anos 70, começou a dar aula na FEI, onde havia se formado. Ainda hoje leciona no curso de pós-graduação de Engenharia de Segurança da UNIP. Também ganhou experiência profissional atuando em empresas de energia elétrica e na Antarctica, na qual foi o responsável pela construção do SESMT nos anos 70 e 80. Também atuou na esfera pública, com passagens pela Fundacentro e como auditor fiscal, função que exerceu de 1985 a 2010.

O professor também foi sujeito ativo em vários momentos importantes da Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil. Formou programas e lecionou nos cursos emergenciais de Segurança do Trabalho nos anos 70. Treinou auditores fiscais de todo o Brasil com o médico do Trabalho Diogo Pupo Nogueira. Foi uma das vozes que ajudaram na construção das Normas Regulamentadoras.

Também teve conquistas internacionais como ser o primeiro bolsista Mapfre na Espanha na década de 80. Participou ainda da criação ou gestão de várias entidades prevencionistas como a Abraphiset, a ABPA e a Obesst. Sem dúvida, não faltam histórias para contar nesses 45 anos de estrada, muitas delas reveladas durante esta entrevista.

Revista Proteção: Como surgiu seu interesse pela engenharia de segurança?

Leonídio Ribeiro Filho: Quando eu comecei, em 1967, falava-se de certo mo­do de Segurança e Medicina do Trabalho, mas a Engenharia de Segurança do Trabalho não existia. Na minha época de estudante de Engenharia na Faculdade de Engenharia In­dus­trial, uma das coisas que eu fazia era a composição de textos em uma gráfica. Uma das publicações que me chamava a a­tenção era a revista Prezado Companheiro, da Companhia Paulista de Força e Luz, que já na década de 60, por estar ligada a empresas americanas de energia elétrica, tinha uma filosofia de prevenção de acidentes. Na Prezado Companheiro, havia diversos artigos sobre prevenção de acidentes, naturalmente mais da área de energia elétrica. Outra publicação era a revista da Editora LTR com vários artigos sobre assuntos legais e também Segurança e Medicina do Trabalho. Eu já me preocupava com o trabalho daquelas pessoas que executavam várias funções dentro dessa tipografia.

Concomi­tan­te­mente me impressiona­vam os acidentes nas rodovias, pois eu atua­va como vendedor de lonas de freio para uma fábrica de Santos e tinha contato com motoristas de caminhões. Também me motivou a disciplina de Higiene e Segurança do Trabalho, que era dada em São Paulo somente na FEI. Desde a época da sua fundação, em 1956, a FEI acreditava que o en­genheiro não poderia sair de uma escola de Engenharia sem pelo menos conhecer os fundamentos de prevenção de acidentes do trabalho porque, qualquer que fosse a modalidade em que ele fosse atuar, estaria sempre presente, de algum modo, a necessidade de se fazer prevenção.

Lá tínhamos o grande professor Silas Fonseca ­Redondo. Se naquela época a gente podia chamar alguém de engenheiro de Segurança do Trabalho, era ele, que fazia um quarteto com outros três médicos: o professor Bernardo Be­drikow, que atuava na Subdivisão de Hi­gie­ne e Segurança do Sesi; o professor Diogo Pupo Nogueira da Faculdade de Saúde Pública e também chefe da Medicina do Trabalho das Linhas Correntes, e o professor Oswaldo Paulino, que era da Petrobras. Outro grande idealista foi Joaquim Augusto Junqueira, que era superintendente da ABPA e também atuava na General Motors, como chefe responsável pela área de Medicina do ­Trabalho.

Leia a entrevista completa na edição de março da Revista Proteção

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